Mestre forrozeiro Afrísio Acácio é sepultado em Arapiraca num clima de muita comoção.

Muitos amigos e músicos que conviveram com Afrísio deram o último adeus ao mestre.

Por Ranjelio 18/06/2021 - 22:22 hs
Foto: Giovanni Luiz - 7Segundos

Foi num clima de muita comoção que o mestre e forrozeiro Afrísio Acácio foi sepultado no final da tarde desta sexta-feira (18) no cemitério Previda, antigo São Francisco, no bairro Guaribas, em Arapiraca. Vários amigos, músicos e discípulos do mestre estiveram presentes para dar o último adeus a Afrísio Acácio, inclusive, tocando algumas das músicas que embalaram as manhãs de segunda-feira durante anos na Praça Luiz Pereira Lima, Centro de Arapiraca, durante o projeto "Cultura na Praça", comandado por Afrísio.

E foram muitas também as lembranças despertadas da convivência com Afrísio Acácio em cada acorde das sanfonas, em cada batida na zabumba e no triângulo que entoavam o tradicional forró pé de serra que Afrísio tanto gostava e prezava durante o final do velório.

Lágrimas

Alguns com os olhos marejados, outros sem conseguir esconder as lágrimas, assim os velhos e novos amigos compartilharam as lembranças do metre, como o também sanfoneiro Severo da Mata Limpa, amigo de Afrísio desde os 12 anos de idade. "Passamos muito tempo juntos levando o forró por esse nordeste afora", contou o sanfoneiro, que era presença constante no projeto Cultura na Praça.

Já Seu Raimundo Nonato, amigo de Afrísio, relembrou a época em que Afrísio foi com ele tocar numa visita que Seu Raimundo fez a alguns membros da sua família lá no estado do Tocantins. "O Afrísio foi comigo até lá no Tocantins tocar para minha família e com muito orgulho e lá ele também declamou poesia e fez a festa", relembrou.

Outros amigos de Afrísio, como o pandeirista e tocador de triângulo, Assis, e a dupla de irmãos, Tony e Adolfo Gonzaga, relataram que Afrísio era como um irmão, um amigo para todas as horas. Já para o radialista Ferreira, que acompanhava Afrísio em seu programa matinal de forró em uma rádio local, não conteve as lágrimas ao fala sobre Afrísio. "Foi um irmão que eu perdi, um companheiro que estava sempre disposto a levar a cultura nordestina para todos os lugares", contou.

Novas gerações

Para o jovem sanfoneiro Maxsuel do Acordeon, de 23 anos, que aprendeu a tocar sanfona com Afrísio Acácio e conviveu com Afrísio, o vazio que o mestre vai deixar ela vai preencher com música, a boa e autêntica música nordestina que Afrísio tanto gostava, disse. "Com Afrísio eu aprendi a conhecer melhor os grandes cantores de forró que muitas vezes o grande público desconhece e Afrísio adorava, ultimamente quando ele queria achar um disco de um artista assim ele me procurava e eu que fazia a pesquisa, dava trabalho mas eu achava, assim aprendi a gostar de mui coisa boa", disse com orgulho o jovem sanfoneiro, discípulo de Afrísio.

O músico e compositor arapiraquense Janu lembrou que há poucos meses, pouco antes de ser internado pela primeira vez, Afrísio se mostrava muito animado para dar início a mais um projeto musical em sua carreira que, infelizmente, não se concretizou. Janu, que contou ainda que ele e Afrísio haviam se aproximado muito ultimamente e que dessa aproximação ele tinha a certeza que iria surgir muita coisa boa, dar bons frutos, mas não foi possível, lamentou o músico. 

Emoção

Durante os momentos finais do velório, houve dois momentos de muita emoção. Um deles foi quando o cantor Cesar Soares fez uma homenagem à Afrísio cantando Ave Maria Sertaneja, um clássico de Luiz Gonzaga que Afrísio gostava muito, disse emocionado, César Soares.

Outro momento de moção foi quando um dos filhos de Afrísio Acácio, Arlisson Touro, soltou um trecho de uma mensagem gravada em áudio por Afrísio quando ele estava internado, dizendo que estava muito esperançoso em retornar para casa e recitando uma poesia do cordelista João de Lima. Nesse momento, mais uma vez, a emoção tomou conta de todos os presentes.

Em seguida, o cortejo seguiu até o túmulo de Afrísio Acácio com os sanfoneiros acompanhando e tocando a conhecida melodia de "Abençoa, Senhor", canção de Padre Zezinho. Afrísio Acácio deixa esposa e filhos. O sanfoneiro, que também era radialista, foi internado por Covid-19 no Hospital de Emergência do Agreste (HEA) no mês de maio e apresentou sequelas devido à doença, como úlcera e alterações no fígado, precisando ser levado para a capital alagoana. Ele estava na UTI do Hospital Universitário de Maceió (HU) desde o dia 30 de maio, mas, infelizmente, não resistiu à doença e veio a falecer na manhã desta quinta-feira (17), deixando um grande legado para a cultura popular.